A África é a nova star da economia mundial.

O respeitado Economist a chama de “O Continente da Esperança”, enquanto economistas e imprensa destacam seu espantoso crescimento, num contexto internacional de sombrias perspectivas.

De fato, entre 2002 e 2011, a África cresceu em média 4,8%. E se espera neste ano que chegue a 5%, que a colocam na liderança em crescimento no planeta.

Apesar desses números gloriosos, os países africanos apresentam os piores índices de pobreza absoluta, saúde, educação, alimentação e acesso a água, saneamento básico e energia elétrica.

São as conclusões de recente pesquisa da AFROBAROMETER, projeto de um conjunto de entidades africanas, que goza de reconhecimento internacional.

Seu relatório indica que 1 entre 5 africanos ficam freqüentemente sem ter o que comer, sem água limpa ou atendimento médico.

Cerca de metade sofre estes problemas em certas épocas.

Entre 5 da 7 nações que apresentam escassez nutricional – Burundi, Guiné, Niger, Senegal e Togo- são também as de mais altos níveis de pobreza.

Argélia e Ilhas Maurícios são as que estão em melhores condições nesse particular.

Mais de 2 entre 5 pessoas ficam regularmente sem dinheiro para poder atender a suas necessidades básicas. 3/4 passaram por esta situação no ano passado.

Em 16 países na última década, os índices de pobreza tiveram pequenas reduções em Cabo Verde, Gana, Malawi, Zâmbia e Zimbabwe, mas  aumentaram em Botswana, Mali, Senegal, África do Sul e Tanzânia.

Nos últimos 30 anos, em termos mundiais, a pobreza absoluta caiu acentuadamente, passando de 40% da população para 20%.

Na África esta queda foi muito menor, sendo que, nas regiões sub- saharianas, nada mudou, com a maioria da população trabalhadora recebendo salários de 1,25 dólares por dia.

Enquanto a África lidera as nações em crescimento, está em último na luta universal pela elevação dos rendimentos das populações pobres. Esta é a conclusão de outro relatório, o African´s Pulse, do World Bank.

Ele revelou que 1 entre cada 2 africanos vive em condições de extrema pobreza.

E pondera que, caso nada seja feito, em 2030 a maioria da população pobre do planeta será de africanos.

É  claro que existem diferenças nos vários países africanos; os índices sociais e econômicos variam bastante, entre os mais desenvolvidos e os mais atrasados.

Mas, vamos focar  um dos mais saudados  protagonistas do dito ”milagre africano”: a Etiópia.

A Etiópia tem apresentado resultados econômicos de deixar Dilma Roussef verde de inveja.

Nos últimos 10 anos, brilhou várias vezes com índices de crescimento de dois dígitos.

A crise freou um pouco sua evolução, mas, mesmo assim, a Etiópia cresceu 7% em 2012 e deve ir além, neste ano.

É a recordista mundial em criação de milionários.

Entre 2007 e setembro de 2013, de acordo com a New World Wealth, o número desses bem sucedidos cidadãos aumentou de 1.300 para 2.700 – um crescimento de 108%.

Outras nações africanas nesse festivo quesito são: Angola, com mais de 68%; Tanzânia, 51%; Zâmbia e Gana empatadas com 50%

Mas, como economia não é tudo na vida de uma nação, a Etiópia segue com dados sociais bastante desagradáveis: PIB per capita de 1.200 dólares anuais, desemprego de 24,9%.

Sem falar da violência governamental no trato da oposição, conforme protesto daHuman Rights Watch, que reporta espancamentos e torturas por obra da polícia, apoiada numa lei anti-terrorista feita para reprimir quem diverge do presidente.

A oposição, note-se, nada tem de radical : sua ideologia é liberal, defende o fim do que rotula de intervenção excessiva do governo na economia.

Na Etiópia, como nas outras nações africanas, benefícios do grande crescimento não estão sendo transferidos para seu povo, ficam para as elites políticas e econômicas.

Situação que extrema a desigualdade e planta sementes de conflitos.

A pesquisa da AFROBAROMETER já dá indícios: 56% dos africanos acham que seus governos administram mal; 69% lhes dão nota baixa na melhoria das condições de vida dos pobres; 71% na criação de empregos e 76% na diminuição de desigualdades.

Parece claro que os governos dos países africanos estão concentrando seu foco no desenvolvimento econômico esquecendo do desenvolvimento social.

Essa exclusividade não é das mais salutares.

E os números da má qualidade de vida do povo indicam a necessidade de uma correção de objetivos, incluindo neles o combate à pobreza e à desigualdade, a extensão dos serviços públicos ao acesso de todos e o aumento do emprego.

Tudo num ritmo, se possível, tão acelerado quanto o do crescimento econômico da África nos últimos anos.

Seria o verdadeiro “milagre africano”.

+

Anuncie Gratuitamente

Imóveis, Vagas de Emprego, Negócios e Serviços. Anuncie Gratuitamente no Portal Jundiaí.

É rápido, é fácil e dá resultado.
Ta esperando o quê?

Anuncie Já!