Em maio, o mercado de trabalho brasileiro seguiu os mesmos passos do mês anterior. Mais uma vez, a taxa de desemprego subiu, chegando a 6,7%, e a renda média sofreu redução, conforme apontam os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (25). Foi a maior taxa de desemprego para o mês de maio desde 2010, quando ficou em 7,5%.

Para o IBGE, a taxa de 6,7% ficou “estatisticamente estável” em relação a abril (6,4%). Já em relação a maio do ano passado, houve aumento de 1,8 ponto percentual na população desocupada – o maior desde 2003.

A última vez que a taxa de desemprego ficou em 6,7% foi em agosto de 2010. Ou seja, se considerar a série toda, a taxa de maio é a maior desde agosto de 2010.

A pesquisa é feita nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

“Você está tendo dispensa de pessoas que antes estavam ocupadas. Tanto que em relação ao ano passado, você tem menos 155 mil pessoas ocupadas. Ao passo que você tem mais gente pressionando o mercado”, diz Adriana Araújo Beringuy, técnica de Rendimento e Trabalho do IBGE.

Segundo a técnica do IBGE, no ano passado, a pesquisa identificava que boa parte da população não economicamente ativa era formada por pessoas que não trabalhavam e não procuravam emprego porque não queriam. “A gente via pessoas jovens, estudantes, e alguns analistas apontavam que essa decisão de interromper a busca poderia estar ligada à decisão de se qualificar, estudar, podia estar ligada ao crescimento da renda do domicilio”, comenta.

Adriana Beringuy ressaltou, no entanto, que isso “não ocorre agora”. “Porque da mesma forma que esses analistas alegavam esses fatores, o que se mostra agora é a variação do rendimento. Porque tanto no mês quanto no ano, gente já tem uma quarta queda consecutiva na PME do rendimento médio real”.

O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 2.117,10) caiu 1,9% em relação a abril (R$ 2.158,74 ) e recuou 5% contra maio de 2014 (R$ 2.229,28). A técnica do IBGE diz que é a quarta queda seguida no rendimento médio real no mês.

De acordo com o IBGE, a população desocupada, de 1,6 milhão de pessoas, ficou estável em relação a abril e cresceu 38,5% (mais 454 mil pessoas) em relação a maio de 2014. Já a população ocupada (22,8 milhões) e a população não economicamente ativa (19,3 milhões de pessoas) mantiveram-se estáveis em ambas as comparações.

Segundo Adriana, “esses 38,5% [crescimento da população desempregada no ano] é o maior crescimento anual de uma população desocupada na série histórica da PME [Pesquisa Mensal de Emprego]”. A pesquisa começou em março de 2002.

O IBGE apontou que menos 213 mil pessoas estão empregadas no setor privado com carteira assinada em relação a maio de 2014 – queda de 1,8%. “Está relacionado às demissões na indústria. Desses 213 mil a menos, metade, 116 mil, são pessoas que ficaram sem carteira na indústria. Então, o peso veio da indústria, da construção e dos outros serviços”, afirma. Já em relação a abril, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, de 11,5 milhões, ficou estável.

Adriana afirmou que de janeiro a maio, não havia redução na média, entre esses meses, do emprego com carteira assinada no setor privado desde 2004 nas seis regiões metropolitanas pesquisadas.

“2015 contra 2014, houve queda de 1,5%. Então, esse 11 milhões e 535 mil é 1,5% menor do que a média do ano passado [de janeiro a maio]. São menos pessoas com prerrogativas que o emprego com carteira oferece. São as prerrogativas que a lei garante, fundo de garantia, seguro desemprego, todos os direitos atrelados a esse tipo de vínculo”, diz.

“A trajetória dos sem carteira é o contrário. A média de janeiro a maio é 2,5% maior do emprego sem carteira assinada”.

Faixa etária

A especialista do IBGE informou que a desocupação está mais concentrada em pessoas de 18 a 49 anos, apesar de a taxa ter crescido em todos os grupos de idade pesquisados pela PME. “A desocupação cresceu para todos eles, no entanto, a intensidade desse crescimento foi mais forte aqui entre as pessoas de 18 a 24 anos”. Nesse grupo de idade, a taxa de desocupação cresceu de 12,3% em maio de 2014 para 16,4% em 2015, segundo ela. “A gente percebe que esse crescimento está sendo muito exercido por essas pessoas mais jovens. Como a gente também já tinha visto no mês de abril”.

Adriana Beringuy ressaltou que o ano de 2015 tem registrado ao longo dos seus cinco meses pequenas variações negativas da população ocupada. E analisou que, em maio, no total das seis metropolitanas pesquisadas, 52,2% da população em idade ativa se encontra ocupada. No ano passado, era 53%.

“A geração de ocupação não está suficientemente grande para absorver o crescimento da população em idade ativa. Ainda que essa ocupação esteja estável [variou 0,1% no mês e caiu 0,7% no ano], essa estabilidade da ocupação, frente ao crescimento significativo da população em idade ativa, faz com que o nível da ocupação caia no ano”, explica. A população economicamente ativa variou 0,4% no mês e cresceu 1,2% no ano, segundo o IBGE.

Por região

Regionalmente, a análise mensal mostrou que a taxa de desocupação não se alterou em nenhuma das regiões em relação a abril. Já na comparação com maio de 2014, houve variações significativas em todas as regiões: Em Porto Alegre passou de 3% para 5,6%, Salvador passou de 9,2% para 11,3%, Belo Horizonte de 3,8% para 5,7%, São Paulo de 5,1% para 6,9%, Rio de Janeiro de 3,4% para 5% e Recife passou de 7,2% para 8,5%.

“O mesmo movimentou foi verificado em todas as RMs [regiões metropolitanas], estabilidade no mês e crescimento no ano. Todas elas reproduziram o comportamento do total”, analisou a técnica.

Já o rendimento caiu em São Paulo (-3,0%), Belo Horizonte (-2,9%), Salvador (-2,1%), Recife (-1,0%) e Rio de Janeiro (-0,8%). Houve crescimento apenas em Porto Alegre (1%). Frente a maio de 2014, o rendimento caiu em todas as regiões, destacando-se o Rio de Janeiro com a maior queda (-6,3%) e Porto Alegre com a menor (-1,6%).

Segundo Adriana Beringuy, o recuo no Rio de Janeiro de 6,3% foi provocado principalmente pela queda do rendimento no comércio e nos serviços prestados às empresas. Já Porto Alegre foi a única cidade que não registrou queda na comparação mensal, “no entanto, no ano, o movimento foi de queda de 1,6%”.

Fonte: G1

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