Os beduínos são um grupo de tribos árabes que habita o deserto do Negev, hoje território israelense, desde o século 7.

Foi quando o exército islâmico árabe conquistou a região, antes parte do império bizantino.

Instalados em povoados construídos no deserto, sua sociedade se estabilizou gradualmente, vivendo do trabalho em sítios de propriedade particular e em pastagens comunitárias.

Essa situação mudou em 1948, na guerra pela fundação do Estado de Israel.

As tropas judaico-israelenses expulsaram grande parte dos beduínos para a Jordânia e o Egito.

Entre 1968 e 1989, a metade dos remanescentes, por iniciativa do governo de Telaviv, mudaram-se para algumas cidades especialmente projetadas, onde receberiam todos os serviços e regalias que lhes eram negadas no Negev.

O que não aconteceu.

Cerca de 70 mil continuaram vivendo em 35 povoados nas terras ancestrais, procurando preservar suas tradições e costumes.

Com a justificação de que esses povoados não são reconhecidos oficialmente, o governo de Israel proíbe que façam novas construções, a compra ou venda de imóveis e não lhes fornece água, eletricidade, escolas e serviços de saúde, a que teriam direito como cidadãos israelenses que são.

No caso da água, por exemplo, os residentes precisam comprar e armazenar em grandes tanques de metal ou containers de plástico  onde fungos, bactérias e ferrugem se desenvolvem rapidamente nas condições locais de extremo calor, causando numerosos casos de infecção e doenças da pele.

Inconformados com sua posse precária, os beduínos vem tentando registrar suas terras. Diante da recusa do Estado em aceitar seu pedido, eles recorrem à Justiça.

Seus processos reclamam o direito á propriedade de 60 mil hectares de terras, que o governo considera estatais.

Mas como as famílias as habitam há muitos séculos, poucos beduínos tem  documentos que provam os registros.

Em 1984, as cortes israelenses decretaram que os beduínos do deserto não tinham direitos de propriedades às terras que ocupam, tornando seus assentamentos ilegais.

Os raros que ainda insistem em entrar em juízo perdem sistematicamente seus pleitos.

Apesar de negar aos beduínos o direito às terras onde vivem e o registro para as legalizarem, Israel tem uma postura diferente em relação aos elementos judaicos.

Nos anos 90, Ariel Sharon então ministro da Agricultura, promoveu um programa para oferecer a cada família judaica que mudasse para o Negev centenas de hectares de terras agriculturáveis, água e de eletricidade.

Em 2011, o governo Netanyahu aprovou o Prawer Plan, com o objetivo de desalojar à força entre 40 e 70 mil beduínos do deserto do Negev, demolindo suas 35 aldeias e confiscando 200 mil acres de suas terras.

Nessa área ficariam novos centros urbanos, indústrias, assentamentos judaicos e instalações militares.

A população beduína seria realocada em 7 vilas especialmente construídas.

Recentemente, o governo autorizou o início do planejamento de 10 novos assentamentos judaicos nas áreas a serem desocupadas.

O Fundo Nacional Judaico, que possui 13% de todo o território do Negev, está envolvido no projeto Blue Print Negev, estimado em 4 bilhões de dólares, para garantir que todo o deserto do Negev seja habitado majoritariamente por uma população judaica.

A justificação do Prawer Plan seria integrar os beduínos na sociedade israelense e dotar suas famílias de todos os benefícios concedidos aos cidadãos de Israel, elevando substancialmente sua qualidade de vida.

As dúvidas são muitas.

Vozes respeitáveis, inclusive judaico- israelenses, levantaram-se contra essa remoção forçada de populações.

Para a Associação de Direitos Civis em Israel, o Plano Prawer destruirá o tecido social e comunitário de dezenas de milhares de beduínos, condenando-os a um futuro de desemprego e pobreza.

Thabet Rass, professor de geografia da Universidade Ben Gurion considerou o plano “uma declaração de guerra”, que pretende espremer os beduínos numa área mínima, restringir seu crescimento demográfico, negar-lhes direitos iguais aos judeus israelenses e destruir seu modo de vida.

De acordo com Harvey  Lithwick, do Centro de Desenvolvimento Regional do Negev, e Katlehen Abu Sad, da Universidade Ben Gurion, as” vilas projetadas” rapidamente estarão entre as mais carentes cidades de Israel, com ausência de serviços bancários e de transporte público. Serão assoladas por desemprego endêmico e conseqüentes ondas de crimes e tráfico de drogas.

Menos pessimistas, a Organização Mundial Sionista Hagshama afirma que a alocação de água para as vilas projetadas para beduínos será entre 25% e 50% menor do que para as cidades judaicas.

Para Nils Baruch, chefe do Binkom, grupo de planejadores urbanos e arquitetos israelenses, nessas vilas “os beduínos absolutamente não terão as mesmas oportunidades (dos judeus- israelenses). Você é cego se não vê isso.”

Prawer Plan tem muito a ver com limpeza étnica.

É a opinião do escritor e acadêmico israelense, Neve Gordon.

Para ele, seu objetivo seria a judaização do deserto do Negev.

Parece que o governo Netanyahu não admite essa região nas mãos de outra raça.

Daí a evacuação forçada dos beduínos do Negev e sua substituição por assentamentos judaicos e instalações militares.

Com os beduínos expulsos espalhados por cidades planejadas nos termos do israeli way of life, a estrutura de sua sociedade desaparecerá, forçando a destruição dos costumes, cultura e tradições.

Além disso, apesar dessa sua integração forçada na sociedade israelense, eles continuarão cidadãos de segunda classe, condenados à pobreza e ao desemprego, em vilas carentes em serviços públicos.

Por isso mesmo, uma organização americana progressista, a Jewish Voice for Peacequalificou o drama beduíno como um “desastre humano”.

E enviou ao Knesset (parlamento de Israel) uma carta pedindo a rejeição do plano (já aprovado em 1ª discussão), assinada por 30 mil pessoas do exterior, inclusive 775 rabinos.

Difícil de ser bem sucedida.

Na verdade, as rodas já começaram a girar.

E as cortinas do drama do Negev devem se fechar com um fim muito triste.

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